A minha experiência com a
escrita deu-se primeiro em língua japonesa e posteriormente em língua
portuguesa. Tive o principal incentivador em casa, meu avô paterno
que comprava mangás para a leitura do japonês. Já as minhas tias me
incentivaram o desenvolvimento do português, pois elas alegavam a
importância do estudo de nossa língua materna. Assim fui desenvolvendo os dois
idiomas,naquela época pouco se lia e falava
em língua portuguesa na minha casa. Nos anos iniciais, tive muitas dificuldades em ortografia e
concordância, no entanto minha mãe e minha tia sempre me auxiliaram na execução
das tarefas de casa, principalmente na matemática e português. O mais
interessante e curioso é a
forma como minha avó paterna me ajudava com as redações, ela pedia para que eu
falasse em japonês o assunto a ser desenvolvido. Assim discutíamos os prós e os
contras, a organização do pensamento e argumentação para compor cada redação.
Nem imaginava o quanto ela me ajudou na melhora da coesão e coerência na minha
escrita! Outro incentivador da escrita
era meu avô materno de Arujá, como ele escrevia Hai-kais, fui me interessando
pelos poemas sintéticos e ele me estimulava a escrever ora em japonês, ora em português.
Naquela época tudo não passava de
brincadeiras inocentes, no entanto percebo quantos exemplos e incentivos tive
para o desenvolvimento da leitura e escrita em minha infância!
Miriam HIromi Aota
A minha experiência com a leitura e a escrita foi por meus irmãos e irmãs mais velhos, por pertencer a uma família numerosa, minha mãe , muito dedicada , mas não sabia ler, meu pai muito trabalhador não tinha muito tempo em casa, chegava a noite, mas mesmo cansado , sempre lia para todos nós, alguma historia, ou notícias do jornal, pois na época não tínhamos televisão.Quando fui a escola , já sabia ler e conhecia os números. Por ser muito curiosa, folheava todos os livros que encontrava, ficava super feliz no começo do ano quando recebia o material escolar , os lápis coloridos , o cheiro dos livros novos, ou mesmo os usados pelos meus outros irmãos.Sempre mim espelhei muito em meu pai ,que falava palavras que eu não sabia o significado, mas adorava ouvir, acho que ele foi o responsável por eu ser a leitora que sou hoje, como diz a Danuza Leão..."Adoro ler , e leio qualquer coisa que chegue as minhas mãos, de bula de remédios a dicionário, é uma mania..."
Bem, assim é um pouco da minha experiência com a leitura e escrita .
Ana Hilda
Minha experiência na escola não foi agradável.Morava no interior do estado do Paraná e meus pais resolveram colocar-me em um a escola particular. No terceiro dia de aula como não soube responder algo que a professora colocou na lousa ela bateu em minha cabeça. Chorei muito e não quis voltar à escola. Meu pai então matriculou-me na escola de um professor amigo dele.A sala era mista e o professor muito bravo. Via meus colegas apanharem quando não aprendiam e isto me marcou demais. Fui então para uma escola pública e lá me encontrei.
Meu primeiro contato com os livros foi muito bom. Queria ler tudo o que via.
Meu pai era autodidata. Possuia uma estante enorme com livros de todos os gêneros. Morria de ciúmes dele
Mary Janne Lopess e não deixava que eu e meus irmãos chegássemos perto da estante. Disponibilizava revistas, livros de bolso, almanaques etc., porém não podíamos mexer nas coleções e enciclopédias. Quando eles saíam eu corria para a estante e pegava um livro e devorava. Guardava no mesmo lugar para que ele não descobrisse e aguardava a próxima oportunidade. Soube por ele que havia escolhido meu nome de uma personagem de um livro que lera quando jovem .
Herdei dele este apego pelos livros. Mais tarde aprendi que livro é energia e quando ele fica parado fica estagnado, o conhecimento não flui. Depois disso fiz doações de alguns livros, empréstimos e recomendações. Compartilho com a fala da Marilena Chauí quando diz:"... o livro é um mundo porque cria mundos ou porque deseja subverter este nosso mundo...."
O depoimento do Gilberto Gil também me trouxe lembranças de minha avó.Enquanto ela fazia crochê contava as histórias da família .Ficávamos horas nestes momentos imperdíveis.
Mary Janne Lopes
Puxa Miriam, parabéns pelo depoimento! Interessante seu processo de aprendizagem, com dois idiomas... E veja como as "brincadeiras" te ajudaram e incentivaram!!!
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