Apresentação: LEITORES CURIOSOS

"Ler não é somente entrar em contato com os textos, é perceber a realidade em que está inserido e fazer a leitura do contexto social e cultural em que está participando e também construindo".(Freire-1982).
Este blog faz parte do programa de formação a distância de educadores, para mostrar a importância da leitura por vários olhares. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, uma vez que o educando esta inserido em um mundo real e em contato com vários modos de informação , estabelecendo relações com outros assuntos de seu conhecimento.

terça-feira, 4 de junho de 2013

DEPOIMENTO DOS CURSISTAS

     A minha experiência com a escrita deu-se primeiro em língua japonesa e posteriormente em língua portuguesa. Tive o principal incentivador em casa, meu avô paterno que comprava mangás para a leitura do japonês.  Já as minhas tias me incentivaram  o desenvolvimento do português, pois elas alegavam a importância do estudo de nossa língua materna. Assim fui desenvolvendo os dois idiomas,naquela época pouco se lia e falava  em língua portuguesa na minha casa. Nos anos iniciais, tive muitas dificuldades em ortografia e concordância, no entanto minha mãe e minha tia sempre me auxiliaram na execução das tarefas de casa, principalmente na matemática e português. O mais interessante e curioso é  a forma como minha avó paterna me ajudava com as redações, ela pedia para que eu falasse em japonês o assunto a ser desenvolvido. Assim discutíamos os prós e os contras, a organização do pensamento e argumentação para compor cada redação. Nem imaginava o quanto ela me ajudou na melhora da coesão e coerência na minha escrita!  Outro incentivador da escrita era meu avô materno de Arujá, como ele escrevia Hai-kais, fui me interessando pelos poemas sintéticos e ele me estimulava a escrever ora em japonês, ora em português. Naquela época tudo não passava de brincadeiras inocentes, no entanto percebo quantos exemplos e incentivos tive para o desenvolvimento da leitura e escrita em minha infância! 

Miriam HIromi Aota 



   A minha experiência com a leitura e a escrita foi por meus irmãos  e irmãs mais velhos, por pertencer a uma família numerosa, minha mãe , muito dedicada , mas não sabia ler, meu pai   muito trabalhador não tinha muito tempo em casa, chegava a noite, mas mesmo cansado , sempre lia para todos nós, alguma historia, ou notícias do jornal, pois na época não tínhamos televisão.Quando fui a escola , já sabia ler e conhecia os números.  Por ser muito curiosa, folheava todos os livros que encontrava, ficava super feliz no começo do ano quando recebia o material escolar , os lápis coloridos , o cheiro dos livros novos, ou mesmo os usados pelos meus outros irmãos.Sempre mim espelhei muito em meu pai ,que falava palavras que eu não sabia o significado, mas adorava ouvir, acho que ele foi o responsável por eu ser a leitora que sou hoje, como diz a Danuza Leão..."Adoro ler , e leio qualquer coisa que chegue as minhas mãos, de bula de remédios a dicionário, é uma mania..."
 Bem, assim é um pouco da minha experiência com a leitura e escrita .
  Ana  Hilda





   Minha experiência na escola não foi agradável.Morava no interior do estado do Paraná e meus pais resolveram colocar-me em um a escola particular. No terceiro dia de aula como não soube responder algo que a professora colocou na lousa  ela bateu em minha cabeça. Chorei muito e não quis voltar à escola. Meu pai então matriculou-me na escola de um professor amigo dele.A sala era mista e o professor muito bravo. Via meus colegas apanharem quando não aprendiam e isto me marcou demais. Fui então para uma escola pública e lá me encontrei. 
    Meu primeiro contato com os livros foi muito bom. Queria ler tudo o que via. 
    Meu pai era autodidata. Possuia uma estante enorme com livros de todos os gêneros. Morria de ciúmes dele
 Mary Janne  Lopess e não deixava que eu e meus irmãos chegássemos perto da estante.     Disponibilizava revistas, livros de bolso, almanaques etc., porém não podíamos mexer nas coleções e enciclopédias. Quando eles saíam eu corria para a estante e pegava um livro e devorava. Guardava no mesmo lugar para que ele não descobrisse e aguardava a próxima oportunidade. Soube por ele que havia escolhido meu nome de uma personagem de um livro que lera quando jovem .
   Herdei dele este apego pelos livros. Mais tarde aprendi que livro é energia e quando ele fica parado  fica estagnado, o conhecimento não flui. Depois disso fiz doações de alguns livros, empréstimos e recomendações. Compartilho com a fala da Marilena Chauí quando diz:"...  o livro é um mundo porque cria mundos ou porque deseja subverter este nosso mundo...." 
   O depoimento do Gilberto Gil também me trouxe lembranças de minha avó.Enquanto ela fazia crochê contava as histórias da família .Ficávamos horas nestes momentos imperdíveis.


Mary  Janne  Lopes




    Todos os depoimentos são maravilhosos... Alguns lembram muito o meu 
“batismo” no mundo da palavra escrita.
Acredito que, como diz minha vovó, estive em contato com a leitura e com 
a escrita apesar de  ser a única docente em minha casa.
Desde pequena minha mãe sempre leu para mim e também para as minhas
 irmãs, essas leituras sempre eram permeadas por demonstrações de 
afeto e interesse por nós... Era o nosso momento de estarmos juntas e 
compartilharmos alguma coisa nova...Minha mãe é Enfermeira... Sempre 
teve uma rotina agitada, mas, nunca 
faltou tempo para nós. Como sempre fui muito curiosa, novidade era para
 mim o que havia de mais fabuloso 
nesse momento além, de não dividir a mamãe com o hospital.
Muitas das histórias eram bíblicas, pois, o nosso berço religioso é o 
cristianismo... Mas, não se limitavam a 
essa esfera: lendas, contos, fábulas e cordéis (mamãe é sergipana) 
. Creio que a vontade de ser 
professora veio daí. Parecia que mamãe sabia tudo. Atendia todas as
 minhas curiosidades, completava todos 
os detalhes. Explicava tudo.Mostrava e até ilustrava as cenas.
 Ela tinha e ainda tem um toque disciplinador.
 O contato com o alfabeto foi tão fácil que eu não me lembro de não o
 conhecer. Como frequentava a escola 
desde os três anos e contava com o modelo de leitura da minha mãe...
 Ler e escrever autonomamente era o 
meu próximo passo... Fui alfabetizada pela minha mãe e pela professora 
Elza, porque foi um trabalho 
conjunto! (Sem dúvida), aos 06 anos com a cartilha “Alegria de saber” 
Scipione, 1995 e alfabeto móvel... E já me lembro de produzir textos. 
Quando estes eram corrigidos pela professora eu podia lê-los para as
 minhas irmãs.
O final vocês já sabem... Fiz letras!....Não parecia haver outra coisa que
 combinasse mais comigo.Comecei a ler e a escrita veio junto.
Avalio que o incentivo e o modelo são os pilares para o despertamento
 da competência leitora e escritora. 
Não existe outro caminho que possa fazer com que alguém se interesse
 por algo se não houver alguém 
que direcione o caminho que pretende mostrar como o ideal.

Glenda Karen Cavalcante.





Um comentário:

  1. Puxa Miriam, parabéns pelo depoimento! Interessante seu processo de aprendizagem, com dois idiomas... E veja como as "brincadeiras" te ajudaram e incentivaram!!!

    ResponderExcluir